Tipos de carga rodoviária: seca, fracionada, viva, perigosa e agro
Pedir caminhão errado pra carga é o erro número um do embarcador iniciante. Custa frete reagendado, motorista perdido e prazo estourado.

Contexto Operacional
70% das disputas operacionais em fretes rodoviários começam por incompatibilidade entre carga publicada e veículo enviado.
Carga seca (general cargo)
É a categoria padrão da maioria das mercadorias industriais: bens de consumo embalados, papel, produtos químicos não-perigosos, aço, móveis prontos.
Geralmente vai em carroceria fechada (baú) ou aberta com lona (sider, graneleiro). Não exige equipamento especial além de cintas de amarração.
Carga fracionada (LTL — Less Than Truckload)
Quando uma única empresa não preenche um caminhão inteiro, a operação combina várias cargas menores no mesmo veículo. Cada carga vai em paletes etiquetados, com gestão de espaço e ordem de desembarque pré-planejada.
Exige transportador especializado e sistema de tracking individual por palete. Vale a pena para cargas urgentes ou pequenas que não justificariam caminhão dedicado.
Carga viva (animais)
Bovinos, suínos, aves vivas. Exige veículo específico (boiadeiro, baú aviário) com ventilação adequada. Limite estrito de horas em movimento, paradas obrigatórias para hidratação e bem-estar animal.
Documentação adicional inclui GTA (Guia de Trânsito Animal) emitida pela secretaria estadual de agricultura. Frete tem prêmio sobre carga seca pela complexidade.
Carga perigosa (classes ONU)
Combustíveis, gases, corrosivos, explosivos, radioativos. Regulada pela ANTT via resolução 5.232. Motorista precisa ter MOPP (Movimentação Operacional de Produtos Perigosos) válido e curso periódico de reciclagem.
Veículo precisa de rotulagem de painel de segurança específico por classe. Frete tem valor superior por causa do risco e treinamento exigido.
Carga agro (grãos, fertilizante, fardões)
A categoria com maior sazonalidade do Brasil. Picos absurdos durante a safra (fev–mai, set–nov), seguidos de período mais calmo. Carga vai em graneleiro (soja, milho, fertilizante) ou em prancha (fardões de algodão).
Os principais corredores são BR-364 (MT → SP/Paranaguá), BR-163 (MT → Porto de Vila do Conde) e BR-153 (GO → Sul). Janelas operacionais apertadas porque a safra perde valor se chega fora do prazo de embarque marítimo.
““Carga não é só o que está dentro da carroceria. É o conjunto de regras, prazos e exigências que viajam junto com ela.”
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