Como calcular o frete: combustível, pedágio, margem e IRPF
Calcular frete sem somar pedágio + margem real é dar desconto pra empresa sem perceber.

Contexto Operacional
Caminhoneiro que conhece o próprio piso aceita melhor frete e recusa rapidamente o ruim.
Custos diretos da viagem
Combustível é o protagonista. Calcule pelo consumo médio do veículo (km/l) e o preço do diesel no posto de saída. Para viagens longas, considere que o preço varia até 15% entre estados.
Pedágio em corredores como SP–PR (BR-116, BR-376) pode passar de R$ 500 por sentido. Use ferramentas como o QualP ou o próprio Google Maps para somar antes de cotar.
Alimentação + pernoite: para viagem de 3+ dias, provisione R$ 80–150/dia.
Custos indiretos (e por que cobrar por km)
Manutenção, pneus, óleo, freio, embreagem se gastam com a quilometragem. A regra prática é provisionar 15–20% do valor do combustível como reserva de manutenção.
Depreciação do caminhão e seguro também entram. Para autônomo proprietário do veículo, divida o valor anual desses custos pelo total de km/ano e some ao preço por km da viagem.
Fórmula prática (exemplo: BR-364 Cuiabá → São Paulo)
Distância: ~1.700 km. Consumo: 3 km/l. Diesel: R$ 6/l. Combustível total: 1.700 / 3 × R$ 6 = R$ 3.400.
Pedágio: ~R$ 280. Manutenção provisionada (15% do combustível): R$ 510. Alimentação/pernoite (3 dias): R$ 300. CUSTO BRUTO: R$ 4.490.
Margem operacional 15%: R$ 670. IRPF estimado (25% sobre margem): R$ 167. VALOR MÍNIMO A COBRAR: R$ 5.330. Em R$/km: R$ 3,14/km.
Quando vale aceitar abaixo do piso
Frete de retorno (volta com carga em vez de vazio) tem economia importante: você já gastaria diesel para voltar. Frete de retorno aceitável pode ficar 30–40% abaixo do preço de ida.
Cliente recorrente, frete sequencial (3+ viagens no mesmo mês) e cargas estratégicas (acesso a novo nicho) podem justificar margem temporariamente reduzida.
IRPF do caminhoneiro autônomo
Autônomo declara 40% do faturamento bruto como rendimento tributável (regra do Livro Caixa). Sobre esses 40%, aplica-se a tabela progressiva do IRPF.
Recomenda-se: emitir RPA (Recibo de Pagamento Autônomo) em cada frete, manter livro caixa atualizado com despesas dedutíveis (combustível, pedágio, manutenção, alimentação na estrada) e declarar mensalmente via Carnê-Leão.
““Quem aceita frete pelo preço de combustível trabalha de graça. Quem aceita por margem real tem margem para pensar no próximo passo.”
Quer comparar valor por rota?
O Índice WebFrete mostra mediana, P25 e P75 de fretes reais publicados nos últimos 90 dias.