Tabela ANTT 2026: Piso Mínimo do Frete, Resolução 6.076 e CIOT
Frete abaixo do piso da ANTT virou problema técnico antes de virar multa — o CIOT agora bloqueia a operação antes de sair.

Contexto Operacional
A atualização de março de 2026 elevou o piso devido ao diesel bater R$ 7,35/L na média nacional ANP. Estar desatualizado hoje significa carga parada no pátio.
O que é a Tabela ANTT e por que ela existe?
O piso mínimo do frete é o valor financeiro mais baixo que pode ser pago legalmente por um transporte rodoviário de carga remunerado no Brasil. Instituído pela Lei 13.703/2018, logo após a histórica greve dos caminhoneiros, ele surgiu para corrigir uma distorção grave do mercado logístico nacional.
Antes de 2018, a alta fragmentação do setor e a forte concorrência pressionavam os valores do frete para baixo do próprio custo operacional do veículo. Caminhoneiros autônomos eram forçados a absorver prejuízos com diesel e desgaste mecânico apenas para não rodar vazios. O piso foi criado para atuar como um 'chão regulatório', garantindo que nenhum frete seja negociado por um valor inferior ao custo de deslocamento.
Hoje, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) é o órgão federal responsável por publicar, calcular e atualizar essa tabela. A matriz de cálculo utiliza coeficientes variáveis que dependem da distância (rota), tipo de veículo (quantidade de eixos), tipo de carga (seca, frigorificada, perigosa) e perfil da operação (lotação ou fracionada).
Para empresas embarcadoras e transportadoras, o cumprimento da tabela deixou de ser apenas um exercício moral para se tornar uma obrigatoriedade fiscal. O desrespeito ao piso gera multas milionárias, interrupção de operações e até a cassação do RNTRC (Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas).
A Resolução 6.076 — O que mudou em 2026
Dica WebFrete
Atenção: Contratos de transporte fechados antes de 20 de janeiro de 2026 que ainda estão em execução precisam ser aditivados para refletir os novos coeficientes da Resolução 6.076. A fiscalização tem aplicado multas retroativas baseadas na data de emissão do CT-e.
A virada do ano de 2025 para 2026 trouxe mudanças substanciais para a matriz tarifária do transporte rodoviário. A Resolução ANTT nº 6.076 foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 19 de janeiro de 2026 e entrou em vigor no dia seguinte, impactando diretamente o caixa de todas as transportadoras do país.
Essa atualização anual não foi apenas uma correção inflacionária. A 1.024ª Reunião de Diretoria Colegiada aprovou um reajuste de até 3,15% para as operações de carga geral e granel, e de até 4,2% para cargas neogranel e perigosas, refletindo o encarecimento de peças de reposição, pneus, IPVA e seguro dos caminhões.
Um dos pontos mais discutidos na nova Resolução foi a revisão da metodologia de cálculo para operações de alto desempenho e carga fracionada (LTL). Anteriormente, a tabela não diferenciava com clareza os custos de 'last mile' em centros urbanos. A nova tabela traz novos multiplicadores que compensam o caminhoneiro pelo tempo parado em engarrafamentos e janelas restritas de descarga nas grandes capitais.
A Atualização Extra de Março de 2026 (Gatilho do Diesel)
O preço do diesel é o coração da logística brasileira, representando entre 35% e 50% de todo o custo de um frete rodoviário. A Lei do Piso Mínimo determina que a tabela deve ser atualizada anualmente, mas também cria um 'gatilho': se o preço do diesel oscilar mais de 5% em relação ao valor utilizado na última tabela, a ANTT é obrigada a publicar uma atualização extraordinária.
Foi exatamente isso que ocorreu em 20 de março de 2026. Entre 15 e 21 de março, o monitoramento oficial da Agência Nacional do Petróleo (ANP) registrou a média nacional do diesel comum em R$ 7,35 por litro — ultrapassando a margem de tolerância estabelecida na tabela de janeiro.
Com o diesel mais caro, a ANTT publicou uma edição extra recalibrando todos os coeficientes de custo de deslocamento (CC). Para o mercado, isso gerou um desafio operacional imenso: rotas que eram lucrativas na segunda-feira passaram a operar abaixo do piso legal na quarta-feira.
- O gatilho do diesel visa proteger o motorista de choques externos de preço (como crises geopolíticas e aumentos da Petrobras).
- O valor de R$ 7,35/L é a média nacional. Mesmo que o diesel no seu estado esteja mais barato, a tabela utiliza o índice nacional da ANP.
- Contratos fixos precisam conter cláusulas automáticas de reajuste por gatilho ANTT para evitar passivos.
Como Calcular o Piso na Prática (Passo a Passo)
Muitos embarcadores dependem de planilhas complexas e desatualizadas. No entanto, calcular o piso mínimo requer apenas o cruzamento de variáveis específicas. O valor total do frete mínimo (VFM) é composto pela soma do Custo de Deslocamento (CCD) e do Custo de Carga e Descarga (CC), multiplicado pelo número de eixos.
- 1Identifique o tipo de operação: Lotação (caminhão inteiro), Fracionada, Alto Desempenho ou Perigosa.
- 2Determine o número de eixos carregados: Um cavalo mecânico 6x2 com carreta 3 eixos (total de 6 eixos) tem um multiplicador diferente de um bitrem (7 a 9 eixos).
- 3Identifique o Tipo de Carga: A tabela define 11 categorias, como Granel Sólido, Granel Líquido, Frigorificada, Conteinerizada e Carga Geral.
- 4Calcule a distância total (ida): O piso é calculado sempre pela distância da rota carregada. Frete de retorno vazio não entra na base de cálculo legal, a menos que acordado comercialmente.
- 5Some os pedágios: O valor do Vale-Pedágio é uma despesa obrigatória do embarcador e deve ser pago à parte, sem descontos, não compondo o piso mínimo.
Exemplo Real: Rota Cuiabá (MT) a Santos (SP)
Para ilustrar, vamos calcular uma operação real sob a tabela de março/2026. Rota: Cuiabá (MT) para o Porto de Santos (SP), distância aproximada de 1.700 km. Operação: Carga Lotação. Veículo: Carreta LS (6 eixos). Carga: Granel Sólido (Soja).
Pelo coeficiente atual da tabela de Granel Sólido para 6 eixos, o custo por km (CCD) é de aproximadamente R$ 3,85, e a taxa fixa de carga/descarga (CC) é de R$ 420,00.
Cálculo: (1.700 km × R$ 3,85) + R$ 420,00 = R$ 6.965,00. Esse é o limite inferior absoluto. O pedágio dessa rota (cerca de R$ 850,00) deve ser somado e pago via operadora homologada.
- Quer simular o piso mínimo para outra rota? Use a calculadora de frete da WebFrete — insira distância, tipo de veículo e carga para obter o valor conforme a tabela ANTT 2026 atualizada.
| Componente | Valor | Observação |
|---|---|---|
| Custo Deslocamento (1.700km) | R$ 6.545,00 | Piso ANTT base |
| Carga/Descarga | R$ 420,00 | Taxa fixa da tabela |
| Pedágio (Vale-Pedágio) | R$ 850,00 | Pago fora do valor do frete |
| TOTAL MÍNIMO LEGAL | R$ 7.815,00 | Piso absoluto da operação |
Publicar dentro da tabela vira pré-requisito.
A WebFrete calcula e sinaliza o piso mínimo aplicável durante a publicação do frete. Evite o bloqueio do CIOT e contrate caminhoneiros qualificados com total segurança jurídica.
Publicar frete seguroO CIOT: A Barreira Tecnológica que Bloqueia o Frete
Até pouco tempo, o descumprimento do piso mínimo só era descoberto se houvesse denúncia ou fiscalização rodoviária (balança/polícia). Isso mudou radicalmente com a evolução do CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte).
O CIOT é o documento digital gerado obrigatoriamente toda vez que uma empresa contrata um caminhoneiro autônomo. Em 2026, as APIs da ANTT e das Instituições de Pagamento Eletrônico de Frete (IPEFs) passaram a validar o valor financeiro da operação *em tempo real*.
O fluxo hoje é este: A empresa tenta gerar o CIOT de R$ 6.000 para aquela rota MT-SP. O sistema da IPEF cruza a distância, o CPF do motorista (que identifica o veículo e os eixos no RNTRC) e o tipo de carga. Ao identificar que o piso mínimo seria R$ 6.965, a API recusa a geração do CIOT com o erro 'Valor abaixo do Piso Mínimo'.
Sem o CIOT válido, a SEFAZ não autoriza a emissão do CT-e (Conhecimento de Transporte) nem do MDF-e (Manifesto Eletrônico). O resultado? O caminhão não sai do pátio. O risco virou trava tecnológica na origem.
Multas e Penalidades por Contratar Abaixo do Piso
O custo do descumprimento tornou-se impeditivo para qualquer transportadora séria. A Agência Nacional de Transportes Terrestres estabelece penalidades severas, regulamentadas de forma a punir todos os elos da cadeia envolvidos na infração.
A multa principal é aplicada com base na diferença entre o valor pago e o piso mínimo, mas as sanções vão muito além disso. A lei atual impõe responsabilização solidária: o embarcador (dono da carga), o intermediário (agenciador) e a transportadora respondem financeiramente.
Em 2025, os Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) firmaram jurisprudência de que pagamentos recorrentes abaixo do piso configuram exploração indevida, abrindo portas para passivos trabalhistas gigantescos e indenizações por dano moral coletivo solicitadas pelo Ministério Público do Trabalho.
- Contratante (Embarcador/Transportadora): Multa de até 105% (cento e cinco por cento) sobre a diferença entre o valor devido e o pago.
- Intermediário/Agenciador: Suspensão do registro na ANTT por 30 a 90 dias.
- Caminhoneiro: Embora protegido pela lei, aceitar frequentemente fretes abaixo do piso para furar a concorrência pode levar ao bloqueio do RNTRC.
Como a Webfrete Protege a Sua Empresa
A complexidade de acompanhar atualizações semanais da ANTT, checar eixos de caminhões desconhecidos e calcular quilometragem oficial levou muitas empresas a adotarem plataformas de automação.
A Webfrete atua como um escudo regulatório e comercial para a sua operação. Ao cadastrar uma carga na nossa vitrine pública, o motor da plataforma (integrado aos APIs governamentais e sistemas de roteirização) calcula instantaneamente o piso da ANTT.
Se você tentar publicar um frete de R$ 5.000 onde o piso é R$ 6.000, o sistema avisa imediatamente e sugere a correção. Isso significa que **100% dos fretes publicados na Webfrete nascem legalmente seguros**, garantindo a aprovação do CIOT e em breve a emissão automática do MDF-e sem dor de cabeça no pátio.
Perguntas Frequentes sobre a Tabela ANTT 2026
Q.O piso mínimo vale para o frete de retorno?
A.Legalmente, a tabela ANTT regula a distância do trecho carregado. Se o contrato não prever o pagamento do retorno vazio, o piso incide apenas na rota de ida com carga. Porém, o mercado costuma negociar prêmios sobre o piso para compensar retornos complexos.
Q.Posso negociar um frete abaixo da tabela se o motorista aceitar?
A.Não. A Lei 13.703/2018 define o piso como norma de ordem pública (obrigatória). Um acordo particular não anula a lei, e o sistema do CIOT bloqueará a emissão de qualquer forma, além do risco de multas.
Q.Como o aumento do pedágio afeta a tabela do frete?
A.O pedágio não afeta a tabela em si, porque a lei exige que o Vale-Pedágio seja destacado e pago de forma antecipada pelo embarcador. O valor do pedágio nunca pode ser incluído dentro do cálculo do frete mínimo.
Q.Transportadoras de frota própria precisam seguir a tabela?
A.A tabela se aplica à contratação de Transporte Rodoviário de Carga Remunerado (frete terceirizado). Se a empresa usa frota própria (caminhões registrados no CNPJ da empresa que vende a mercadoria), trata-se de carga própria e o piso não se aplica.
Q.O que acontece se a ANTT não atualizar a tabela quando o diesel subir?
A.A lei estabelece que, se o gatilho de oscilação de 5% no diesel ocorrer e a ANTT não publicar nova tabela, o Sindicato dos Transportadores pode acionar a Justiça, ou os embarcadores devem calcular o reajuste linear da porcentagem do diesel sobre a tabela anterior.
Q.O CIOT gratuito cobre o piso mínimo?
A.Plataformas de CIOT gratuito (como o da Pamcary ou Repom) também estão conectadas à mesma base da ANTT. Independentemente da plataforma de pagamento utilizada (PEF), a validação do piso é obrigatória por norma federal.
Q.Carga perigosa exige um cálculo de piso diferente?
A.Sim. Há um coeficiente específico e mais alto para Carga Frigorificada e Carga Perigosa, compensando os custos adicionais com manutenção de câmaras frias, seguros especiais e cursos MOPP.
Q.Como saber se o caminhão é toco ou truck para calcular o piso?
A.A contagem oficial é pelo número de eixos e não pelo jargão comercial. Um caminhão toco tem 2 eixos, um truck tem 3. Ao usar a calculadora da ANTT ou a plataforma Webfrete, você informa o total de eixos carregados.
““O piso da ANTT deixou de ser apenas alvo de fiscalização posterior e virou trava na ponta. Operação que não conhece os coeficientes simplesmente não emite CT-e nem viaja.”
Publicar dentro da tabela vira pré-requisito.
A WebFrete calcula e sinaliza o piso mínimo aplicável durante a publicação do frete. Evite o bloqueio do CIOT e contrate caminhoneiros qualificados com total segurança jurídica.
