80,4 Milhões de Viagens e 1,4 Bilhão de Toneladas: O Raio-X Oficial do Frete no Brasil
O autônomo representa quase três em cada quatro transportadores — mas as empresas concentram dois terços da frota. Esse contraste ajuda a explicar por que o mercado de fretes brasileiro é, ao mesmo tempo, pulverizado na negociação e concentrado na capacidade.

Produto e Crescimento

Neste artigo
- O tamanho medido — e o que ficou fora da conta
- Um milhão de transportadores, mas a frota não está dividida por igual
- Quando o mercado roda mais e o que ele carrega
- Renovação de frota, crédito e sinais de investimento
- Trabalho: contratação não é o mesmo que estoque de vagas
- Cinco decisões que os dados ajudam a tomar
- Perguntas frequentes sobre o mercado de fretes
Contexto operacional
O Anuário TRC 2025, divulgado pela ANTT em 2026, contabilizou 80,4 milhões de viagens intermunicipais e interestaduais registradas por MDF-e, cerca de 1,4 bilhão de toneladas e uma frota RNTRC de 2,846 milhões de veículos ao fim do ano.
O tamanho medido — e o que ficou fora da conta
A ANTT consolidou dados do RNTRC e do MDF-e para medir a movimentação rodoviária. Em 2025, foram 80,4 milhões de viagens, cerca de 1,4 bilhão de toneladas e 749,4 bilhões de toneladas-quilômetro. A estimativa de distância percorrida ficou entre 33,9 bilhões e 36,5 bilhões de quilômetros.
O recorte tem uma limitação importante: o MDF-e cobre operações intermunicipais e interestaduais, mas não contempla toda coleta e distribuição realizada dentro do mesmo município. Portanto, 80,4 milhões não é o total absoluto de deslocamentos de carga por caminhão no país; é o universo registrado pelo documento no recorte analisado.
A participação do transporte remunerado variou entre 76% e 78% das viagens ao longo do ano e permaneceu entre 84% e 86% do volume em toneladas. A diferença indica que operações remuneradas concentram cargas mais pesadas, enquanto carga própria também tem peso relevante no número de viagens.
Um milhão de transportadores, mas a frota não está dividida por igual
Em dezembro de 2025, o RNTRC reunia 1.049.805 transportadores nas situações ativa, pendente ou suspensa. Isso não significa que todos estavam aptos a operar: a própria ANTT diferencia cadastro ativo, pendente por falta de veículo e suspenso por descumprimento de requisito.
O contraste estrutural aparece entre pessoas e ativos. TACs eram ampla maioria em número, enquanto ETCs concentravam dois terços da frota. Para embarcadores, isso mostra por que capacidade pode ser contratada tanto em redes pulverizadas de autônomos quanto em frotas empresariais maiores. Para motoristas, explica a concorrência desigual por escala, crédito e manutenção.
A frota total cresceu 8,95% contra dezembro de 2024. Empresas tiveram alta de 10,39%; autônomos, de 6,31%; cooperativas, de 4,59%. Crescimento de frota não garante melhora de margem — capacidade, demanda e custo precisam avançar em equilíbrio.
| Categoria | Participação nos transportadores | Participação na frota | Veículos em dez/2025 |
|---|---|---|---|
| TAC | 73,27% | 32,56% | 926.988 |
| ETC | 26,67% | 66,07% | 1.880.590 |
| CTC | 0,04% | 1,55% | 38.624 |
| Total | — | — | 2.846.202 |
Quando o mercado roda mais e o que ele carrega
As viagens mensais saíram de 6,7 milhões em janeiro e ultrapassaram 8,1 milhões entre julho e setembro. O pico foi setembro, com cerca de 8,35 milhões. O calendário acompanha o escoamento da soja no primeiro semestre e do milho segunda safra no segundo.
Entre os tipos de carga identificáveis, soja respondeu por 13,3% do volume; milho, por 8,8%; óleos de petróleo ou de minerais, por 4,8%; cimentos hidráulicos, por 3,8%. Os 13 maiores tipos concentraram cerca de metade do total identificável.
A leitura prática é que sazonalidade importa, mas o mercado não se resume ao agro. Combustíveis, construção, indústria, varejo e distribuição mantêm redes com exigências próprias de veículo, risco, documentação e prazo.
- Soja: 13,3% do volume de carga identificável
- Milho: 8,8%
- Óleos de petróleo ou minerais: 4,8%
- Cimentos hidráulicos: 3,8%
Renovação de frota, crédito e sinais de investimento
Dica WebFrete
Caminhão novo reduz alguns riscos operacionais, mas só melhora o negócio quando a parcela cabe no fluxo de caixa real da rota.
A média de emplacamentos de caminhões caiu 9,16% em 2025 frente a 2024, segundo a série consolidada pela ANTT. Em 2026, o Move Brasil tentou destravar a renovação: até 18 de maio, o BNDES informou mais de R$ 9,7 bilhões consumidos, 8.444 operações e mais de 15,6 mil caminhões financiados.
A distribuição do crédito também revela escala. Frotistas responderam por R$ 9,4 bilhões; a modalidade de autônomos registrou R$ 337 milhões no período informado. A nova etapa reservou R$ 2 bilhões a transportadores autônomos e pessoas físicas cooperadas dentro de uma linha de até R$ 21,2 bilhões.
Crédito mais disponível pode reduzir idade média, manutenção e consumo, mas aumenta compromisso financeiro. A decisão de renovar deve comparar parcela, entrada, seguro, depreciação, consumo e capacidade contratada. Programa de financiamento não é garantia de aprovação nem de rentabilidade.
Trabalho: contratação não é o mesmo que estoque de vagas
Empresas admitiram 534.972 motoristas em 2025, média mensal de 44.581. O número ficou 1,18% abaixo de 2024 e 7,26% acima de 2023. A ANTT ressalta que essas são admissões brutas e não descontam desligamentos; portanto, não medem crescimento líquido do emprego.
Os salários de admissão também subiram na comparação apresentada. Em 2025, 25% das admissões estavam até cerca de R$ 2.359, a mediana chegou a aproximadamente R$ 2.700 e 75% ficaram até R$ 3.000. Remuneração total pode incluir adicionais e variar por região, jornada, vínculo e tipo de operação.
Para transportadoras, o desafio não é apenas contratar, mas reter com rota previsível, descanso, segurança, equipamento em condição e pagamento correto. Para o motorista, salário nominal precisa ser lido junto com jornada, diárias, tempo fora de casa e estabilidade do contrato.
Cinco decisões que os dados ajudam a tomar
- 1Dimensionar capacidade por sazonalidade e não apenas pela média anual.
- 2Escolher entre frota própria, parceiro ETC, cooperativa e rede de TAC conforme a operação.
- 3Mapear cargas que combinam com o veículo e a região de retorno.
- 4Avaliar renovação de frota pelo fluxo de caixa, e não apenas pela taxa anunciada.
- 5Comparar preço bruto com margem líquida por quilômetro e por dia.
Perguntas frequentes sobre o mercado de fretes
Q.Existem mais de um milhão de transportadores ativos?
A.O total de 1.049.805 em dezembro de 2025 inclui cadastros ativos, pendentes e suspensos. Não deve ser apresentado como um milhão de operadores aptos sem separar a situação cadastral.
Q.Autônomos têm a maior parte dos caminhões?
A.Não. Eles eram 73,27% dos transportadores, mas tinham 32,56% da frota. ETCs eram 26,67% dos transportadores e concentravam 66,07% dos veículos.
Q.80,4 milhões é o total de todas as viagens de carga?
A.É o total de viagens intermunicipais e interestaduais registradas por MDF-e no recorte do anuário. Distribuição e coleta inteiramente municipais não entram nessa contagem.
Q.Qual carga lidera o transporte rodoviário?
A.Entre as cargas identificáveis no painel, a soja liderou com 13,3% das toneladas, seguida pelo milho com 8,8%.
Referências
Fontes consultadas
- Anuário do Transporte Rodoviário de Cargas 2025 — ANTT. Acesso em 31/08/2026.
- Move Brasil — linha de R$ 21,2 bilhões para renovação de frota pesada — BNDES. Acesso em 31/08/2026.
Revisado por Equipe WebFrete em 31/08/2026. Dados estruturais e de emplacamentos transcritos do Anuário TRC 2025 publicado pela ANTT em 2026; dados de crédito cruzados com o BNDES. Limitações de cobertura são declaradas no texto.
““O mercado é pulverizado em operadores e concentrado em capacidade de frota.”
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