Falta de Caminhoneiros: 88% das Transportadoras Não Conseguem Contratar
A falta de caminhoneiros deixou de ser reclamação de setor e virou capacidade parada no pátio: 8 caminhões ociosos por empresa, em média. Comprar caminhão virou a parte fácil. Quem tem CNH E e documentação em dia está do lado forte da mesa pela primeira vez em muito tempo.

Otávio Guilherme Larreia Ferreira
CEO · Cofundador

Neste artigo
- Os números: 88% não conseguem contratar e 8 caminhões param
- O paradoxo do investimento: menos caminhão, mais gente
- Mão de obra sobe cinco vezes mais rápido que o resto
- O que a empresa faz para não ficar com caminhão parado
- O que o motorista faz com essa posição
- Perguntas frequentes sobre a falta de caminhoneiros
Contexto operacional
A falta de caminhoneiros atinge 88% das empresas do transporte rodoviário de cargas, segundo pesquisa da NTC&Logística divulgada em março de 2026, com dados de 2025. Entre as transportadoras com frota parada, a média é de 8 caminhões ociosos por empresa. O custo de mão de obra subiu 13,42% em 24 meses, contra 2,69% do combustível e 2,61% dos veículos no mesmo recorte.
Os números: 88% não conseguem contratar e 8 caminhões param
A falta de caminhoneiros deixou de ser queixa e virou medição. A pesquisa da NTC&Logística divulgada em março de 2026, com dados coletados em 2025, aponta que 88% das empresas do transporte rodoviário de cargas têm dificuldade para contratar motoristas e agregados.
O efeito prático aparece no pátio. Entre as transportadoras que relatam frota parada, a média é de 8 caminhões ociosos por empresa por falta de condutor. Cada um desses veículos continua consumindo parcela de financiamento, seguro, licenciamento e depreciação, sem gerar um real de receita.
Não é um problema de nicho. Na mesma pesquisa, a escassez de profissionais aparece como a segunda maior limitação ao crescimento do setor, citada por 28,1% das empresas. À frente dela só a piora do mercado interno, com 40,7%. Atrás, a dificuldade de acesso a capital, com 17%.
| Limitação ao crescimento do setor | Empresas que citam |
|---|---|
| Piora do mercado interno | 40,7% |
| Escassez de profissionais | 28,1% |
| Dificuldade de acesso a capital | 17% |
O paradoxo do investimento: menos caminhão, mais gente
Dica WebFrete
Empresa que investe em treinamento e não investe em retenção forma motorista para o concorrente. Qualificação sem plano de permanência é subsídio involuntário ao mercado.
Duas respostas da mesma pesquisa, lado a lado, contam a história inteira. Para 2026, 61,5% das empresas declararam que não pretendem renovar a frota. No mesmo levantamento, 92,6% declararam que pretendem aplicar recursos em treinamento e capacitação de pessoal.
O sinal é claro. Comprar caminhão não resolve a operação de quem não tem quem dirija. O capital que iria para o ativo está sendo redirecionado para formar, qualificar e reter o profissional que opera esse ativo.
O movimento já vinha se desenhando: 61,2% das empresas não fizeram aquisição de veículo nos 12 meses anteriores à pesquisa. Renovação de frota adiada com escassez de condutor é uma decisão coerente, não uma contradição.
| Decisão declarada para 2026 | Empresas |
|---|---|
| Não pretendem renovar a frota | 61,5% |
| Pretendem investir em treinamento e capacitação | 92,6% |
| Não adquiriram veículo nos 12 meses anteriores | 61,2% |
Mão de obra sobe cinco vezes mais rápido que o resto
Escassez de oferta vira preço. No recorte de 24 meses da pesquisa, o custo de mão de obra subiu 13,42%, enquanto veículos subiram 2,61% e combustível 2,69%. É uma diferença de cerca de cinco vezes entre o item humano e os itens materiais.
Atenção à janela de medição, porque ela muda a leitura. Esses 2,69% de combustível referem-se ao acumulado de 24 meses apurado na pesquisa, com dados até 2025. Já o Comunicado CONET de agosto de 2026 mostra o combustível subindo 17,63% apenas no primeiro semestre de 2026. Não são números contraditórios: são períodos diferentes, e o combustível acelerou depois do recorte da pesquisa de mão de obra.
O peso de cada item na estrutura de custo também importa. Segundo a mesma pesquisa, combustível responde por 43,2% do custo operacional do transporte rodoviário de cargas, veículos por 29,1% e motoristas por 19,5%. Os três somam 91,8% da conta.
| Item | Variação em 24 meses (dados até 2025) | Peso na estrutura de custo do TRC |
|---|---|---|
| Mão de obra | +13,42% | 19,5% |
| Combustível | +2,69% | 43,2% |
| Veículos | +2,61% | 29,1% |
O que a empresa faz para não ficar com caminhão parado
Se a alternativa for ampliar a rede em vez de contratar CLT, o caminho passa por contratar caminhoneiro autônomo com segurança e por qualificar transportadoras parceiras, com documentação conferida antes da carga sair.
- 1Trate retenção como custo de frota. Se o veículo parado já custa parcela, seguro e depreciação, o valor gasto para segurar um motorista precisa ser comparado com o custo de deixar o caminhão na garagem, não com a folha do mês passado.
- 2Ofereça previsibilidade de rota e de retorno. Escala definida e viagem de volta programada valem tanto quanto reajuste para quem escolhe entre duas propostas.
- 3Reduza tempo improdutivo. Espera para carregar e descarregar consome dia do motorista sem gerar receita para nenhum dos dois lados, e é um dos motivos mais citados para troca de empresa.
- 4Mantenha o equipamento em condição. Caminhão malcuidado é filtro negativo de contratação num mercado em que o profissional escolhe.
- 5Considere o agregado como capacidade elástica. Quando a frota própria não fecha a demanda, a rede de autônomos absorve o pico sem exigir compra de ativo.
- 6Pague em dia e de forma rastreável. Histórico de pagamento correto circula rápido entre motoristas e é um dos ativos de reputação mais baratos de construir.
O que o motorista faz com essa posição
Esta é a parte que raramente aparece na cobertura do tema. Quando 88% das empresas não conseguem contratar e há caminhão parado esperando condutor, quem dirige deixou de ser substituível e passou a ser disputado. Isso muda o que dá para pedir numa negociação.
- Para quem está começando ou vai formalizar a atividade: guia completo do caminhoneiro autônomo.
- Para saber o que o mercado está pagando: quanto ganha motorista de caminhão em 2026.
- Para quem avalia rodar com a própria máquina numa frota: como funciona agregar caminhão.
- 1Documentação em dia é o que converte escassez em proposta. CNH na categoria correta, exames válidos, RNTRC ativo e antecedentes limpos tiram o motorista da fila e colocam na frente dela.
- 2Negocie o pacote, não só o valor. Tempo de espera remunerado, previsibilidade de escala, frequência de retorno para casa e condição do veículo pesam no ganho real do mês.
- 3Compare antes de aceitar. Com mais demanda que oferta, a primeira proposta raramente é a melhor disponível na mesma semana.
- 4Especialize-se onde a escassez é maior. Carga que exige curso ou habilitação específica tem menos concorrência e melhor remuneração.
- 5Construa histórico verificável. Reputação de entrega no prazo e documentação sempre regular é o que faz a empresa aceitar o valor pedido sem discussão.
- 6Calcule seu custo antes de aceitar valor. Frete alto com rota ruim pode render menos que frete médio com retorno garantido.
Perguntas frequentes sobre a falta de caminhoneiros
Q.Quantas transportadoras têm dificuldade para contratar motorista?
A.88% das empresas relatam dificuldade para contratar motoristas e agregados, segundo pesquisa da NTC&Logística divulgada em março de 2026, com dados coletados em 2025.
Q.Quantos caminhões ficam parados por falta de motorista?
A.Entre as transportadoras que relatam frota ociosa, a média é de 8 caminhões parados por empresa por falta de condutor. O número é uma média entre as empresas afetadas, não o total do setor.
Q.Por que as empresas não renovam a frota se falta capacidade?
A.Porque o gargalo não é o veículo. Na mesma pesquisa, 61,5% declararam que não pretendem renovar a frota em 2026, enquanto 92,6% declararam que pretendem investir em treinamento e capacitação. Comprar caminhão não resolve a operação de quem não encontra quem dirija.
Q.A falta de motorista aumenta o salário do caminhoneiro?
A.Pressiona para cima. O custo de mão de obra do setor subiu 13,42% em 24 meses, cerca de cinco vezes a alta de veículos e de combustível no mesmo recorte. Remuneração individual, porém, varia por região, tipo de carga, vínculo e jornada.
Q.A falta de motorista é o maior problema do transporte rodoviário?
A.É o segundo. Na pesquisa, a escassez de profissionais é citada por 28,1% das empresas como limitação ao crescimento, atrás da piora do mercado interno, com 40,7%, e à frente da dificuldade de acesso a capital, com 17%.
Referências
Fontes consultadas
- Pesquisa NTC&Logística sobre escassez de motoristas no TRC — divulgada em março de 2026 — NTC&Logística. Acesso em 02/09/2026.
- Comunicado CONET de agosto de 2026 — defasagem de 10,5% entre frete praticado e custo efetivo — NTC&Logística (DECOPE). Acesso em 02/09/2026.
- Índice Nacional do Custo do Transporte (INCT) — metodologia e séries do DECOPE — NTC&Logística. Acesso em 02/09/2026.
Revisado por Equipe WebFrete em 02/09/2026. Percentuais de contratação, frota parada, renovação, treinamento, composição de custo e limitações ao crescimento transcritos da pesquisa da NTC&Logística divulgada em março de 2026, com coleta em 2025. A variação de combustível do primeiro semestre de 2026 vem do Comunicado CONET de agosto de 2026, e a diferença de janela entre as duas séries está explicitada no texto. Estimativas de déficit total de motoristas que circulam na cobertura do tema não foram incluídas por não terem sido confirmadas em fonte institucional.
““Quando 61,5% das empresas param de renovar frota e 92,6% decidem investir em treinamento, o gargalo deixou de ser o ativo e passou a ser quem opera o ativo.”
Do lado de quem contrata ou de quem dirige
Empresa publica a carga e recebe candidatura de motorista com documentação verificada. Caminhoneiro compara fretes por origem, destino e valor, sem comissão sobre o frete.